Citizen Kane ou O Mundo a Seus Pés, de Orson Welles
Duração: 119 min
Hollywood em ritmo morno (é a guerra). O. W. vem de Nova York precedido da fama da rádio e do teatro. Luz verde criativa. O resultado está a aí a durar pelo tempo fora. Uma história de poder pela comunicação. Os jornais entendidos como o Correio da Manhã. A fabricarem mentiras e a destruírem carreiras. Charles Foster Kane como W. Randolph Hearst. Este existiu e dominou a América por décadas. O. W. pagou caro a ousadia. Foi perseguido e Hollywood não mais lhe abriu as portas (ao longo dos anos conseguiu de vez em quando entrar pela porta das traseiras). Uma história em vaivém - flashbacks numa montagem espantosa. Como um puzzle. Rosebud é o enigma que impulsiona a ficção. Um trenó da infância talvez a única época em que ele foi feliz. Se D. W. Griffith foi nos anos 10 o criador da linguagem do cinema, O. W. foi fez com este filme o refinamento dela - campo/contracampo, plongé/contreplongé, montagem não linear. E a utilização do espaço na sua relação com os atores? Durante muitos anos o Citizen Kane foi considerado o melhor filme da história do cinema. Vale o que vale. Mas tem coisas espantosas. É o O. W. a fazer de Kane em várias fases da vida e convence-nos...É a enormidade do Palácio de Xanadu e o sentido do absurdo. O argumento foi uma parceria entre O. W. e Herman J. Mankiewicz. A história atualizada do cinema aponta para a autoria do segundo com uns toques do O. W. Mankiewicz era outro génio de Hollywood..., mas alcoólico, desregrado, lunático. Brilhante. Na Netflix há um filme sobre ele e O. W. sobre a produção do Citizen Kane, chamado Mank. Vale a pena.
Ver este filme é sempre um prazer renovado. Ver O. W. a representar, ouvir a sua voz poderosa, sentir o peso da sua imagem na tela.
E era um jovem..., mas com a idade de Shakespeare e a paixão por ele.
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