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04 maio 2022

O pequeno grande homem - Arthur Penn (1970)

Com Dustin Hoffman, Faye Dunnaway
Duração: 34m

Shane, pura ficção. Vício de Matar, a verdade histórica mais ou menos... O Pequeno Grande Homem, meio ficção meio mito.

A verdade do Oeste contada pelo último sobrevivente do confronto entre o general Custer e os Cheyennes (uma das poucas vitórias reconhecidas historicamente dos índios sobre os brancos), com 121 anos. Aqui está, logo em termos conceptuais, o distanciamento sobre a verdade histórica. É difícil alguém chegar a esta idade e muito menos com cabeça para recordar corretamente o passado. Assim este épico é passado entre a verdade e a mentira. Entre o sério e o risível. Numa farândula contínua de encontros e desencontros do personagem Crabb (o grande pequeno Dustin Hoffman) - índio, religioso, feirante, pistoleiro, comerciante, batedor, carroceiro e muito mais. Este índio (não índio) ajuda-nos a situar-nos naquele universo do Oeste americano em que tudo mudava à velocidade... pelo menos dos cavalos. Na trepidação da história americana do Oeste tudo avançava numa espécie de circularidade. O personagem ia encontrando e reencontrando outras personagens - os índios, a irmã, a antiga protetora, o aldrabão feirante (este sempre com menos um bocado de corpo), o célebre Wild Bill Hickok (mitificado pela história, mas morto na trafulhice de um jogo de poker) - num rodopio de sobrevivência.

Neste jogo divertido e absurdo vão passando verdades dolorosas para a América. Os índios ("Ganhámos hoje. Não ganhamos amanhã), os heróis fake (General Custer)... É caso para dizer que "Todos morreram Calçados" o título português do filme do Raul Walsh (1941) sobre o Custer e a batalha de Little Big Horn, com o grande, mas desvairado Errol Flinn.

Para um filme de 1970 (Hollywood estava em crise de criatividade), aqui está uma história muito bem esgalhada, comédia amarga, irónica e... muito divertida.

27 abril 2022

Vício de matar, de Arthur Penn (1958)

Com Paul Newman, John Dehner
Duração: 102 min

"Billy the Kid, foi assim que passou para a história americana o jovem William Bonney. 1859-1881foi o tempo de vida que os deuses lhe atribuíram. Pistoleiro e ladrão de gado. Matou quatro pessoas (chegaram a atribuir-lhe 21 mortes) e foi morto pelo xerife Pat Garrett - outro nome incontornável da história do Oeste americano da segunda metade do século XIX. Qualquer deles, juntos ou separados, alimentaram umas dezenas de argumentos de ficção em Hollywood. Esta é mais uma, mas... No fim dos anos 50 alguns argumentistas e realizadores começaram a questionar algumas coisas da história americana do oeste tal como ela se tinha consolidado no imaginário coletivo. É esse o caso deste filme. A matriz ficcional obedece à verdade histórica. Aquelas personagens existiram, os dados foram (mais ou menos) respeitados e as situações igualmente. Mérito para o Gore Vidal (esse grande escritor) que investigou e escreveu a matriz factual de base. Mérito igualmente para o realizador Arthur Penn que, vindo do universo da televisão (então em consolidação no imaginário e nos hábitos) conseguiu fazer com esse material o seu primeiro filme em Hollywood. Penn, que era um intelectual fascinado pelo cinema europeu, fez uns anos depois (1967) Bonnye & Clyde e a abordagem é similar. Personagens reais da história americana. Jovens (just kids) desenquadrados, socialmente à deriva na América profunda. Marginais fascinados com o eco das suas façanhas junto do público através de notícias ampliadas e romanceadas por jornalistas pouco escrupulosos - o Billy diz para si que é uma figura de glória.

A forma com o Penn põe o Newman a representar o pequeno bandido dá essa dimensão de uma certa inocência, o desejo de brincar, fruir a vida. Há uma clara ampliação do perfil psicológico do jovem, apanhado nas armadilhas da vida, com uma falsa história contada e editada. Não tinha futuro. Penn filmou claramente num registo fluído, prático e barato - os decors eram naturais. Obviamente que a sua margem de liberdade era restrita. Um miúdo que foi morto com 22 anos era representado pelo Paul Newman que já ia nos 38 anos. Mal menor ou, se quisermos, uma prenda especial para nosso prazer cinéfilo.

A rapariga da mala - Valerio Zurlini (1961)

Com Claudia Cardinale, Jacques Perrin... Duração: 1h53m "Um drama de amor com fundo de Verdi e de luta de classes numa Itália onde come...