Duração: 118 min
Os últimos dias de Pompeia terminou com a erupção do vulcão. O Colosso de Rodes termina com um grande terramoto. Verdades históricas, servidas com matrizes ficcionais muito convincentes. Mais convincente é a essência cinematográfica destas catástrofes naturais. A Cinnecitá tinha meios e práticas muito elaborados e, passados estes anos todos, bem podemos dizer que aquele terramoto é bem conseguido como o tinha sido a erupção do Vesúvio. O profissionalismo dos estúdios era conciliável com a espectacularidade procurada. Aliás nesta altura estava em curso um processo de deslocalização de Hollywood para Roma. Quo Vadis, Helena de Troia e Ben Hur, grandes produções americanas, foram filmados na Cinnecita nestes anos. Gente para encher o ecrã como nos dois filmes que estamos a analisar era o que não faltava - uma escolha ilimitada a preços baratos. Eram os italianos do sul a subirem para Roma e Milão à procura de uma vida melhor no capitalismo industrial.
Em o Colosso de Rodes temos uma ficção aventureira-amorosa mais uma vez suportada pela verdade factual. Em Rodes, no Mediterrâneo oriental, há uma situação política de ditadura. As populações são escravizadas. Há corrupção e tortura e um grupo de resistência. Um general ateniense, em férias, é o sujeito da mudança. Ora dentro ora fora. Quando tudo termina com a queda do Colosso, para ele é o princípio. Não retorna a Atenas e fica com a mulher bonita que até ali praticamente nao se tinha cruzado com ele. Mas isso é o lado fascinante da ficção. Visualmente há coisas brilhantes no filme. Algumas sequências dentro e fora do Colosso. Belíssimas imagens em exteriores rochosos de grande impacto visual. Pelo meio há uns duelos quase risíveis na sua encenação. Mas recuem uma dezenas de anos e imaginem-se crianças a ver aquilo...
Colosso de Rodes. Não é imaginação. Existiu mesmo. De 288 A.C. até 226 A. C. Estrabão e Plínio, o Velho referem-se a ele nas suas crónicas que chegaram até nós. Erigido em honra do deus Hélios, era uma grande estátua em bronze, cerca de 33 metros de altura. Até ficou para a história o nome do arquiteto: Carés de Lindos. A localização é que não é consentânea. Os restos da estátua ficaram depositados no fundo do mar até ao ano 653 quando Rodes foi conquistada por uma força árabe que recuperou todo o metal e o vendeu a... adivinhem: um mercador judeu.
O gozo é enorme e é espantoso o engenho com que foram filmadas as sequências no colosso - dentro e fora. Umas dezenas de anos depois, o Spielberg não faria melhor. Só mais sofisticado porque os instrumentos cinematográficos atuais são de uma dimensão tecnológica incomparável.
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