18 janeiro 2023

Despertares - Penny Marshall (1990)

Com Robert de Niro e Robin Williams
Duração: 121 min

Milagre. Tirem-lhe o sentido religioso e fiquemos pelos contornos médicos. E mesmo assim só se atingirá uma falsa esperança. Uma instituição psiquiátrica da grande New York, no Bronx, onde a maioria dos doentes com elevados distúrbios neurológicos, vegeta em estado catatónico - aparentemente uma encefalite letárgica (doença do sono) ocorrida nos anos 20 - admite um jovem médico psiquiatra com ideias e métodos pouco ortodoxos. Gradualmente consegue entrar naquele universo de prostração e apatia, conseguindo convencer o estado maior do hospital a aplicar uma droga a partir de L-Dopa, um medicamento usado para a Doença de Parkinson. Dá-se o "milagre", primeiro com um doente (espantoso Robert de Niro) e depois com outros. Revolução. Transfiguração. Metamorfose. Alguns doentes estavam parados ainda no tempo da lei seca. As estátuas-vivas recuperam a sua vontade. De destroços humanos tornam-se seres com vida e sentido do prazer. Eles que já não esperavam nada. Como diz um deles "I am back". E outro: "A fucking miracle".

Mas o milagre foi apenas transitório, pontual. Pouco a pouco cada um daqueles seres volta ao recolhimento vegetativo. A cura falhou. Os despertares foram curtos, mas certamente valeram para cada um deles uma vida.

Isto não foi ficção. Com os desvios próprios do cinema de Hollywood aconteceu e quem o viveu e contou foi Oliver Saks, um neurologista, psiquiatra e escritor. Este caso está contado em "O tempo de despertar" (1973), tradução portuguesa. Outros livros ele escreveu (alguns traduzidos para português) sobre as suas experiências e vida, nomeadamente o que é mais conhecido - "O homem que confundiu a sua mulher com um chapéu".

Oliver Saks, judeu nascido em Inglaterra, mas desde 1965 a viver em N. York, tal como figurado no filme, era tímido, solitário, reservado, mas... homossexual. Procurava o bem dos seus doentes, mas não conseguiu viver de bem consigo. Como dizia o personagem de "Quanto mais quente melhor": "Nobody is perfect".

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