Com Warren Beatty, Jean Seberg, Peter Fonda
Duração: 109 min
Nos anos 60 estava já em curso
acelerado o processo de implosão dos códigos de censura que, desde os anos 30
cerceava acções, temas, gestos e falas de Hollywood. Obviamente que os
comportamentos desviantes, anormais, psiquiatricamente perturbadores não faziam
parte das admissões do Código Hays. Esta história não era politicamente
correcta nesses tempos. Mas agora estava-se nos alvores dos novos tempos - o
fenómeno hippie estava a chegar, o Vietname ia agitar estruturalmente a
sociedade americana - e o cinema dos estúdios já conseguia abordar uma história
como a de Lilith. Uma clínica psiquiátrica de luxo, para "malucos"
ricos. Um jovem terapeuta retornado da guerra da Coreia (Warren Beatty). A
atraçcão por uma jovem internada (Jean Seberg). O jogo a três com outro doente
(Peter Fonda). Está criado o quadro ficcional explosivo. Entre a norma e a
diferença, a sanidade e a esquizofrenia, a realidade e a fantasia.
Um jovem saído de um quadro
anormal como é a guerra poderia, aparentemente, recuperar a sua identidade e
colar os bocados em que estava partida a sua vida naquele universo de
fragilidades afectivas e inconsequências comportamentais. Redondo engano. A esperança
quebra-se, o dramatismo acentua-se - o jovem pretendente (Peter Fonda)
suicida-se, a bela doente passa definitivamente para o lado de lá - e ao jovem
resta-lhe implorar aos médicos do Solar dos Choupos (é assim que se chama a
instituição):."Help me"!!!
Lilith é a personagem em torno da
qual todo o drama ocorre. Nome e símbolo. Lilith vem lá do fundo da história e
faz parte do Antigo Testamento. Das muitas figurações permito-me citar:
"Lilith uma deusa muito adorada na Mesopotânia, comparada à lua negra, à
sombra do inconsciente, ao mistério, ao poder, ao silêncio, à sedução, à
tempestade, à escuridão e à morte." A Lilith da ficção é tudo isso. A
beleza e a morte anunciada. Na cultura judaica Lilith é o demónio.
Rossen construiu um belo filme
num estilo clássico, mas já com uns pozinhos diferentes - a música com
sonoridades de jazz, por exemplo. Foi um grande argumentista da Hollywood
clássica, mas conseguiu fazer alguns filmes como realizador. Este foi o último
(morreu muito novo), mas o mais conhecido é "A vida é um jogo", um
dos melhores filmes do Paul Newman, sobre o mundo do jogo (bilhar). Um quarto
de século depois o nosso amigo Scorsese fez uma espécie de continuação com
"A cor do dinheiro".
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