Duração: 117m
Anos 30. A besta nazi a inchar e a mostrar as garras. Uma história de pura amizade entre duas jovens americanas que que vamos acompanhando em cada "flashback/flashforward" ao longo do tempo. Uma rica (mas de forte consciência social) vem estudar para a Europa (Inglaterra e Viena). É a Julia.
Outra, intelectual, candidata a escritora que fica nos EUA. É a Lillian
Hellman.
A Julia assumiu-se uma combatente pela liberdade na Alemanha. A Lillian tornou-se numa escritora de referência, dramaturga (Broadway) e argumentista (Hollywood).
Pois toda a história do filme se desenvolve na articulação entre o par Lillian e Dashiell e a amiga Julia. Na essência é como que uma trama policial cruzada com o drama da história moderna da Europa (nazismo, perseguição aos judeus, União Soviética).
A Julia desaparece de Viena (após bárbara agressão nazi) e só passado muito tempo reaparece, "handicapée".
Viagem de uma americana à Rússia de Staline e, ainda por cima, com honras principescas? Pois é. Naqueles tempos a máquina de propaganda soviética investia fortemente nos intelectuais ocidentais. Com regularidade convidavam escritores, artistas e jornalistas para irem ver em directo as conquistas do socialismo (muito bem encenadas e apaparicadas). Só alguns nomes conhecidos de todos: André Gide, Jorge Amado, John Steinbeck, Pablo Neruda, Pablo Picasso...E houve muitos mais. Nalguns casos o efeito foi perverso. Arthur Koestler veio de lá a dizer e escrever o pior da URSS.
Pois foi neste quadro que Lillian Hellman fez aquela viagem entre
novembro de 1944 e janeiro de 1945.
E regressou com a promessa de encontrar o bebé filho da amiga, que aparentemente Julia deixou na Alsácia. A realidade aqui parece ter sido engolida pela ficção e as memórias da Lillian Hellman provavelmente foram dramatizadas e um bocado aldrabadas. Pelo menos não se livrou de disso ser acusada quando saiu o seu livro de memórias "Pentimento - A Book of Portraits". Chama-se "Pentimento" a um efeito de diluição na pintura. Na primeira sequência do filme são dadas algumas referências.
E que dizer da Jane Fonda como Lillian? E Jason Robards como Dash (era
assim que ela o chamava)? E a Julia de Vanessa Redgrave?
Ah... Então a Meryl Streep? Para ela foi o início de tudo no cinema. Um
pequeno papel de menina rica de N. York. Mas o filme vale por tudo o mais. E
não é pouco. Um clássico. Para nós é um aperitivo para os suculentos bolos que
são os outros filmes escolhidos. Não se vão arrepender.
Nem sempre o óptimo é possível.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.