26 outubro 2020

Sodoma e Gomorra - Sergio Leone e Robert Aldrich (1962)

Com Stewart Granger, Pier Angeli, Anouk Aimée
Duração: 146 min

"O castigo dos deuses ou, menos mitologia e mais realidade, três acidentes telúricos. Um vulcão, um terramoto e... outro terramoto. Nos dois filmes anteriores os dados históricos confirmam as ficções, neste tudo se perde na neblina densa do tempo e da mitologia cristã. Sodoma e Gomorra é o Antigo Testamento (Génesis 18 e 19) na sua essência - a ira de Deus contra os homens, o mal e o pecado. A culpa e o arrependimento. A corrupção e a maldição. O deboche, a aberração e a perversão sexual. E a justiça divina foi infernal (ignorem a contradição)... O Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra - Génesis 19.

A partir da história do Antigo Testamento, acompanhamos Lot, sobrinho de Abraão, líder da tribo dos Judeus à procura de um lugar para ficar (sempre foi assim), soberbamente interpretado por um muito convincente Stuart Granger. Encontra Sodoma e Gomorra, mas no fim tem que fugir do pecado e da destruição divina. E é neste intervalo que tudo se passa para nosso encanto. Belos planos de conjunto de multidões no deserto (filmagem em Marrocos). Sequências espectaculares de combate com centenas de cavalos e cavaleiros (sem efeitos especiais) - Robert Aldrich sentia-se à vontade, ele que já tinha feito lá na América alguns westerns memoráveis. Belas sequências de interiores, exuberantes e exóticas. Uma música funcionando como elemento dramático motivador e propulsionador da acção. Miklos Rozsa ganhou vários Óscares em dezenas de bandas sonoras. E, mais uma vez, o terramoto encenado, na sua beleza destrutiva. Sergio Leone já tinha currículo.

Claro que as coisas não podiam correr totalmente bem para o Lot. A mulher dele, contaminada pelo mal de Sodoma e Gomorra, não respeitou as ordens de Deus - Don't look back. Ficou reduzida a estátua de sal. A Lot, e ao que restou do povo de Israel, coube-lhes continuar a circular pelo deserto. Sempre foi assim. E ainda continuam a querer mais deserto. Os homens não aprendem nem com a história, nem com Deus(es).

A nós cabe-nos fruir os pequenos prazeres com este filme que, como os bons vinhos, não envelheceu ou, se quiserem, envelheceu bem.

Já agora. Os manuais e enciclopédias do cinema são pouco claros. Uns escrevem que o Leone foi co-director. E outros que o Leone foi só 'second-unit director'. Seja como for, está lá a impressão digital dele. Basta lembrar os outros dois filmes.

Divirtam-se com o filme e... Don't look back. Podem escorregar. Nunca se sabe dos desígnios dos deuses.

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