Não passarmos Hitchcock ao fim destes filmes todos seriam uma espécie de crime cinéfilo. Assim sendo, aqui vai. Todo o sistema Hitchcock está difundido neste filme - o medo, a manipulação dos sentidos, a ironia, a perversidade, o suspense, o gozo e o humor. Numa entrevista daqueles tempos, o grande cineasta inglês afirmou que - O meu herói é sempre um homem comum a quem acontecem coisas extraordinárias, e não o contrário. Aqui está a essência do filme. Um casal burguês fora da América - primeiro em Marrocos (Marraquech não muito diferente dos nossos dias) e depois na Inglaterra - envolvido acidentalmente numa conspiração para assassinar um político. Impossível encontrar corpos mais apropriados do que o enorme James Stewart e a cantora/actriz Doris Day , banais americanos enrodilhados num complicado processo de decisão para salvar o jovem filho raptado. A arte absoluta do mestre está bem condensada numa sequência chave no Albert Hall em Londres e a voz canora da Doris Day delicia-nos com...não digo. Venham ver ou rever o filme. É sempre um prazer sentirmo-nos manipulados pelo talento genial do Hitch.
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