Com Halle Berry, Billy Bob Thornton, Heath Ledger
EUA. Geórgia. O sul profundo. O
racismo no seu meio privilegiado. Uma mulher negra e o marido, condenado à
morte, executado. O filho que lhe morre num acidente. Um guarda prisional
branco, ultra conservador, que perde o filho (também guarda prisional) por
suicídio. Odeia os negros e, se calhar, a ele próprio. Trabalha no corredor da
morte. O encontro acidental entre duas almas penadas nas extremidades mais
afastadas daquela sociedade, contra a lógica e as convenções. Atração física?
Amor? Quem perde? Quem ganha? Ou perdem ambos? Ganham os dois?
Grande equação que é a da vida e
dos afectos. Ali no deep south as restrições são maiores e mais variadas. O
ódio racial é a essência daquela sociedade. Tem a idade da independência
americana e alimenta-se diariamente da história. O Ku klux klan está sempre a
espreitar por detrás das suas máscaras horríveis e nos últimos anos tem
mostrado as garras cada vez mais afiadas e pestilentas. Por mais processos
judiciais que o deus deles, o Trump, perca, mais poder ganha. A sociedade
americana é um grande enigma. Cada vez maior.
Mas voltemos à ficção.
Halle Berry faz aqui um papel
comovente. Frágil, desorientada, à procura de um pouco de segurança num futuro
de desespero. E com isso teve o Oscar para a melhor actriz da Academia de
Hollywood. A primeira actriz negra (african-american actress, como é politicamente
correcto dizer) a ganhá-lo.
Billy Bob Thornton, o sulista, que segue o
passado do pai, num processo sem afectos nem sonhos. Depois dos encontros e
desencontros contra-natura com a mulher negra, só as estrelas do céu dirão no
fim o que vai acontecer. Se calhar, mais um falhanço.
O filho suicida é representado
por Heath Ledger, um notável jovem actor australiano que lamentavelmente se
extinguiu à velocidade de um cometa. Overdose. Tão talentoso como estúpido. Paz
à sua alma. Já morto e enterrado foi
contemplado com o Oscar de melhor actor secundário pelo seu papel em "O
Cavaleiro das Trevas", filme sobre o Batman do Christopher Nolan (que é
agora candidato a um pacote de Oscares com o enorme "Oppenheimer".
Ainda estão a tempo de ver).
Marc Foster, o realizador. É
suíço, mas a carreira é americana. Há pouco tempo passou dele "Um homem
chamado Otto", com o Tom Hanks, muito interessante sobre a terceira idade.
Mas também passou pelo 007 - "Quantum of Solace".
Mas... passadas décadas é no mínimo estranho o
que se passa em Israel e como essa herança heróica se esfuma pelas brumas da
violência judaica - nazis a extinguir judeus, antes, judeus a extinguir
palestinanos, agora. Raios. Nunca mais aprendemos.
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