Flash back nas nossas memórias cinéfilas recentes. No dia 8 de Março vimos "O medo devora a alma" do Douglas Sirk. O Rock Hudson jardineiro, lembrem-se .. Vão reler o textozinho que escrevi para se enquadrarem nesta ficção (um bocadinho de trabalho de casa não faz mal a ninguém).
O Fassbinder, quando descobriu e se apaixonou pelos filmes americanos do seu conterrâneo, encontrou a via privilegiada para os seus futuros filmes. Aqui é o take one desse trajecto (que lamentavelmente iria durar só alguns anos, mas com maravilhas que iremos ver).
Encontro amoroso entre um emigrante marroquino e uma viúva alemã. Origens, idade, raça e cultura - tudo entre eles faz a diferença, mas o coração (ou a solidão) podem fazer milagres.
Fassbinder vai-nos revelando pouco a pouco o pequeno mundo em que eles
circulam em Munique (metaforicamente é o país inteiro que ele retrata).
Discriminação, intolerância, xenofobia e racismo. Aquela ligação entre Emmi e Ali vai gradualmente deixar o espectador em dúvida sobre o futuro. Os couscus podem fazer a diferença, mas a rejeição familiar e social mais ou menos generalizada da situação é um facto inegável. Como diz o personagem masculino num alemão titubeante "Árabes não humano." ou "Penso muito, choro muito."
Os preconceitos e os tabus são terríveis.
O último acto de homenagem do Fassbinder ao Sirk é o final feliz. Falso
na evidência das coisas... mas deixemos para os deuses wagnerianos as decisões
sobre o futuro. Nunca se sabe.
Passados estes anos todos verificamos que o filme continua com uma
pujança lúdica espantosa e uma força visual inegável.
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